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Mai 22

História dos Estádios – Sporting

O mais recente Estádio do Sporting Clube de Portugal, inaugurado a 6 de Agosto de 2003, vai ao encontro do desejo do fundador José Alvalade: o de ter excelentes instalações desportivas condizentes com o espírito e história de um clube vencedor.

O primeiro campo começou a funcionar em 8 de Maio de 1906, no nº73 da Alameda do Lumiar (hoje Alameda das Linhas Torres), no chamado Sítio das Mouras. Os terrenos foram cedidos pelo Visconde de Alvalade, que correspondeu à vontade do neto, José Alvalade, de consolidar um novo clube depois da cisão do Campo Grande Football Club. A cedência incluiu, ainda, um edifício na mesma Alameda, para funcionar como a primeira sede do Sporting Clube de Portugal.

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No ano seguinte, a 4 de Julho de 1907, houve uma remodelação que melhorou substancialmente as condições desportivas: além de um campo de futebol, o segundo campo dos leões passava a contar com uma pista de atletismo, dois courts de ténis, pavilhão com vestiários e armários pessoais, chuveiros e banhos de imersão, sala de estar e de jogos, sem esquecer a cozinha equipada para a preparação de refeições ligeiras. Este complexo ficou a ser o melhor de então em Portugal e situava-se no mesmo local do primeiro campo, ao lado do Chafariz das Mouras.

O Sporting saiu do Sítio das Mouras para ocupar o Campo Grande 412, no dia 1 de Abril de 1917, data da sua inauguração. Foi neste  terceiro campo, que conheceu muitas glórias, incluindo duas dobradinhas (Campeonato de Lisboa e Campeonato de Portugal). Este campo, anteriormente arrendado ao Lisboa F.C., que entretanto se extinguiu, sofreu amplas melhorias levadas a cabo pelo arquitecto António do Couto que só foram possíveis graças ao dedicado dirigente Mário Pistacchini, que adiantou os quase 53 mil escudos necessários para as obras, na condição de o Sporting lhe pagar quando pudesse, o que se veio a verificar uns anos mais tarde. Na sequência de acordos patrimoniais com a Câmara Municipal de Lisboa, o Sporting em 1940, num gesto de boa vontade, cedeu este campo ao eterno rival Benfica quando este clube foi obrigado a abandonar o campo nas Amoreiras para realização de obras públicas no local (construção do viaduto Duarte Pacheco e auto estrada para a marginal). Ficou conhecido como ‘a Estância de Madeira’.

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Antigo Estádio José de Alvalade

 

O quarto campo foi como que um regresso às origens. O Stadium de Lisboa, ou Estádio do Lumiar, tinha campo de futebol, pista de atletismo e velódromo, embora um pouco degradado. Este recinto, que viria a ser o cenário de tempos gloriosos do futebol leonino (teve a ‘honra’ de assistir ao aparecimento dos ‘Cinco Violinos’), foi arrendado a 30 de Abril de 1937. Na sequência de acordos patrimoniais com a Câmara Municipal de Lisboa, o Sporting tomou posse do Stadium, remodelando-o em 1947 com arrelvamento do terreno de jogo, a regularização da pista de atletismo e de ciclismo e a construção de bancada de cimento nos topos. Após esta transformação, o quinto campo de jogos leonino foi inaugurado em 13 de Junho de 1947, com um jogo de futebol entre os leões e o Atlético de Bilbau (4-4, no final da partida), ficando este recinto com um marco histórico: é o primeiro campo de jogos do Sporting Clube de Portugal conhecido por Estádio José Alvalade, como viria a acontecer aos dois recintos desportivos que lhe seguiram.

Como resultado dessas significativas alterações, este recinto recebeu a quinta edição da Taça Latina, em 1953, a única prova de então que reunia os melhores clubes europeus. O Sporting não foi feliz, tendo perdido com o AC Milão (após dois prolongamentos) por 3-4, com dois golos de Martins e um de Vasques. No apuramento dos terceiros e quartos lugares, os leões golearam o Valência por 4-1, mantendo os autores dos golos: desta feita, dois para cada um deles. O Sporting continuava a crescer e o tetracampeonato (1950-1954), a seguir ao tricampeonato (1946-1949), mais reforçou a necessidade de um estádio moderno, funcional e com muito maior capacidade. Na sequência de uma enorme mobilização de todos os Sportinguistas, que deram prova de enorme dedicação e criatividade, o Estádio José Alvalade, o sexto campo da história do Clube, foi inaugurado a 10 de Junho de 1956.

Cerca de 60 mil pessoas deslocaram-se a Alvalade para assistir à cerimónia de inauguração (na qual, Craveiro Lopes, Presidente da República, também marcou presença). Cantou-se o hino nacional e houve um enorme espectáculo de cor e movimento: mais de 1.500 atletas leoninos desenharam as iniciais SCP no relvado. Depois o futebol. Os brasileiros do Vasco da Gama foram os convidados  e acabaram por ganhar 2-3.

Na década de noventa do século XX, com os grandes esforços de transformação realizados no Clube e a desejada activação de um património imobiliário estagnado, a construção de um moderníssimo Estádio, tornou-se uma realidade. E a obra, orgulho de todos os Sportinguistas pela sua funcionalidade e beleza, nasceu a 6 de Agosto de 2003. É o sétimo campo de jogos e chama-se José Alvalade, porque os Estatutos do Sporting estabelecem, em homenagem ao Fundador, que o principal recinto desportivo do Clube tenha o seu nome.

Instalado na zona urbana de Lisboa, entre a Avenida Padre Cruz, 2ª Circular e a Alameda das Linhas Torres, ao lado do seu ‘irmão mais velho’, entretanto demolido, é um estádio futurista que recebeu cinco jogos do Euro-04 (disputado em Portugal) e uma final europeia, da Taça Uefa, a 18 de Maio de 2005. No entanto, o grande momento aconteceu a 6 de Agosto, o dia da sua inauguração: os leões venceram o poderoso Manchester United por 3-1, com Luís Filipe a marcar o primeiro golo e João Pinto a bisar. Cristiano Ronaldo, com uma exibição fantástica, rumou passados poucos dias para Inglaterra, numa transferência que rendeu aos cofres leoninos, 15 milhões de euros.

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Novo Estádio José Alvalade

 

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